
Foto: Céu Reis – Associação Genuíno
Cobertor de papa
Desabafando:
Creio que grande parte dos
guardenses e a totalidade dos políticos da nossa cidade receberam com total
desagrado esta notícia. O maior sintoma disso está no silêncio da comunicação
social da cidade que, de acordo com o que julgo saber, se fez de cega, surda e
muda, porque sabem para que lado é que os políticos caem e, portanto, não vão
mexer numa situação que também lhes diz respeito, os afronta e devia
envergonhar.
Apenas o “Todas as Beiras” noticiou
a absolvição.
Na Guarda preferiam e preferem uma
contrafação ao original e autênctico, desde que essa contrafação seja feita por
pessoas consideradas chiques e da alta.
A mentira é muito mais amada do que
a verdade e detestam-se as pessoas que se batem com verdade e pela verdade.
Só mais uma coisa: mais do que
desculpas, preferia uma mudança de atitude e respeito pelo património e cultura
e por nós, já agora.
Contextualizando:
Jornal on-line: Todas as Beiras
“A Associação “O Genuíno Cobertor
de Papa”, que nasceu em maio de 2018 em Maçainhas, concelho da Guarda, tem
lutado pela preservação de um produto tradicional, feito em pura lã, que
durante muitos anos representou o sustento de muitas famílias. Mas o surgimento
desta associação não foi do agrado de todos e a sua presidente, Maria do Céu
Reis, foi alvo de um processo no tribunal, que só veio ficar concluído ao fim
de seis anos. Disso dá conta a dirigente num texto publicado na página oficial
do Facebook da associação.”
«Foram 6 anos, em tribunal, num
processo em que o que estava em causa, era a defesa do Cobertor de Papa
genuíno, o património mais identitário da Guarda», refere, acrescentando que
«foram 6 anos como arguida, muitas idas ao tribunal a Lisboa, no meio de tempestades,
com imensos afazeres: participação em feiras e certames, recebendo visitas,
produzindo cobertores, preparando e expedindo encomendas, comprando materiais,
tratar de logística, a vários níveis, cumprimento de obrigações fiscais e
institucionais, deslocações ao estrangeiro». Foram, salienta, «imensas
situações» que foi resolvendo «com muito esforço e trabalho» e conseguindo
estar disponível e «fazer acontecer cultura».
«Fez-se justiça e a verdade venceu,
tendo sido provado que imensos consumidores foram enganados com um produto que
falsamente designavam de cobertor de papa não passando de uma fraude e um
ataque despudorado ao nosso património e à verdade factual. Sempre acreditámos
neste desfecho porque somos autênticos, nada temos a esconder e sempre dissemos
a verdade, o que foi reconhecido e considerado provado, pelo tribunal», informa
Maria do Céu Reis.
A dirigente admite que não sabe «o
que o futuro reserva», mas assegura que defenderá «sempre este património
genuíno» que faz parte da «identidade territorial» e da «forma de ser e estar»
das gentes de Maçainhas. E aproveita para agradecer a quem testemunhou em sua
defesa: «Paula, Íris, sr. Armindo e Jorge». Não esqueceu também de agradecer ao
seu advogado.