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quinta-feira, 25 de outubro de 2018

O Monumento aos Mortos no Torreão


A muito custo, lá me decidi ir visitar o “Monumento aos Mortos do Ultramar do Concelho da Guarda”.
E digo já, como combatente, não me revejo naquilo.
Primeiro porque não sou do Concelho da Guarda e felizmente cheguei vivo.
Segundo porque eu andei na “Guerra Colonial” e não na “Guerra do Ultramar”
Terceiro porque não entendo o que ali está
 Não entendendo o que ali está deixo algumas reflexões para se tentar entender
No “monumento” há três elementos bem destacados: O obelisco, os quadrados e a água.
 E no meu entender o que significa cada um desses elementos?
A água
A água simboliza a origem da vida, a fecundidade, a fertilidade, a transformação, a purificação, a força, a limpeza. É considerada o ponto de partida para o surgimento da vida.
E a “Guerra Colonial” foi morte e destruição. Podem ter surgido países novos, mas o preço foi muito caro e o renascimento tem sido lento.
Os quadrados com os nomes dos mortos
O quadrado simboliza pausa e cessação, sendo estabilidade e perfeição.
Muitos espaços têm a forma dessa figura geométrica, tais como altares e templos e, para muitas culturas, ele representa a Terra e os pontos cardeais e pode representar os “quatro cantos da terra” e o mundo colonial português.
Também representa a manifestação dos quatro elementos terra, fogo, ar, água
Apenas terá a ver com os locais de combate nos quatro cantos da terra
O Obelisco
Representa a força criadora
“O obelisco é o símbolo do raio do Sol, ligando-se ao mito da ascensão solar e à “luz do Espírito penetrante” por causa da sua posição erecta”
Ele apontam para cima, na direção do sol e como um símbolo fálico, a posição ereta também tinha um significado óbvio de vida
O simbolismo do obelisco também foi adoptado pela Maçonaria representando a Fraternidade interna Invisível ou Espiritual
Concluo, não entendo o que é que aqueles elementos têm a ver com os mortos na Guerra Colonial ou na Guerra do Ultramar.
Explique-me quem sabe
E mesmo que fosse aos combatentes vivos, estão a passar tão mal e por certo que não vão trenascer.
Fora do tema
Os buchos do jardim em falta foram roubados, secaram ou não chegaram para tudo?

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Monumento a quem? Aos mortos ou aos vivos?


Foto: Jornal Terras da Beira
Felizmente que as entidades que se deslocam à Guarda para inaugurar o Monumento não conheceramm a Guerra Colonial.
Domingo, 13 de março de 2011, escreveu-se neste Blogue:
Dizem “Descolonizar” e não dizem “Desultramarinizar”
Um Presidente que diz Guerra de África para não dizer Guerra Colonial ou Guerra no Ultramar
Jornalistas dizem na mesma reportagem: Guerra Ultramarina, Guerra Colonial, Guerra do Ultramar, Combatentes da Guerra Colonial e Combatentes do Ultramar
Um comentador que diz de seguida Guerra Colonial e Combatentes do Ultramar, não pensa no que diz.
Dizem que era assim que se dizia, Guerra do Ultramar, mas também se dizia na clandestinidade Guerra Colonial
Pelos vistos é tudo igual: Descolonização, Guerra Colonial, Guerra do Ultramar, Guerra em África, Combatente Colonial, Combatente Ultramarino, vale tudo, tudo tem o mesmo significado, mas não tem.
Ninguém tem medo das palavras, há o politicamente correcto na maneira como se dizem e onde se dizem.
50 Anos depois é preciso assumir o que se diz e o que se faz.
Ninguém está contra ninguém.
Consequências da Guerra Colonial aos Jovens Portugueses:
Quase 9 mil mortos
Cerca de 100 mil feridos ou incapacitados
Quase 20 mil com deficiências físicas
Mais de 140 mil com problemas psicológicos
Mais de 150 mil desertores e refractários
Em 1974 foram mobilizados 150 mil efectivos militares para o esforço de guerra em África
A guerra sorveu entre 7 a 10% da população portuguesa e mais de 90% da juventude masculina.
Actualmente ainda há milhares de ex-combatentes a viver em situação miserável, doentes e sem dinheiro. O Stress de Guerra é uma realidade, não é a brincar. Há milhares a sofrer, e fazem-se monumentos.
O subsídio Portas varia entre 75 e 150 Euros, por ano, dependente dos meses que estiveram em zona de guerra.
Recordo que eu fiquei sem 37 me4ses da minha juventude e da minha carreira.
Felizmente que quem vem inaugurar o Monumento não conheceu a Guerra Colonial.

quarta-feira, 25 de abril de 2018

Tertúlia: Evidências coloniais ou sinais de Abril?


A Biblioteca Municipal Eduardo Lourenço organiza uma tertúlia no dia 26 de Abril pelas 18H00.
O tema, sempre actual, é a guerra colonial.
O principal interveniente é o sacerdote Teles Sampaio, actual pároco da Misericórdia de Manteigas.
O sacerdote viveu intensamente um período conturbado na cidade da Beira, Moçambique, tendo estado preso um ano na cadeia da Machava em Lourenço Marques, hoje Maputo.
Também deve abortar a questão de Wiriyamu na província de Tete.
Mas o melhor será ir e ouvir o que nos tem a dizer, que é muito.
Esta conferência poderá ser a actividade mais importante das comemorações do 25 de Abril na Guarda.

sábado, 17 de junho de 2017

Conselhos no Presídio militar

Forte da Graça - Elvas
1 - …xem estar por
2 - Quando um dia suar o clarim para marchar e defender as glórias portuguesas não hesitaremos um segundo
3 – Mesmo em cima de um cavalo quando não haja mesas devem escrever à família

domingo, 4 de junho de 2017

Artigos do RDM – Regulamento de Disciplina Militar

Forte da Graça – Elvas
O RDM - Regulamento de Disciplina Militar foi um dos melhores diplomas de toda a história da legislação portuguesa, dizem os militares de carreira.
Foi lido, relido e memorizado por milhares de combatentes em tempos de paz e em tempos de guerra. Também me coube a mim ler, reler, memorizar e ensinar este RDM. Breve história:
As primeiras leis militares podem ter começado com Rei D. Duarte. Outros se seguiram: D. Afonso V., D. Sebastião, a legislação durante a Guerra da Restauração regulamentos legados pelo Conde de Lippe, as reformas de Beresford, e muita legislação produzida no século XIX donde se destaca o primeiro Código de Justiça Militar, de 1875, e o Regulamento de Disciplina, para o Exército.
Com a I República toda a legislação militar se moderniza e é já no fim dessa mesma República que se harmonizam os regulamentos de disciplina do Exército e da Amada, de modo a criar-se um único documento que servisse ambas as Corporações.
E, assim, nasceu o RDM, em 1 de Dezembro de 1925, que tinha os seus antecedentes próximos, no Regulamento de Disciplina do Exército, promulgado em 19 de Janeiro de 1911. Desde então sofreu uma nova revisão, em 1929 e 10 adaptações entre essa data e 1965.
Em 1977, sobretudo tendo em conta a mudança constitucional havida em 1976, foi feita uma nova revisão, promulgada a 9 de Abril desse ano (Dec. Lei. 142/77.
1 –
2 – Asseado e cuidar da limpeza e conservação do fardamento, armamento, equipagem e quaisquer que lhe forem … no cargo
3 – Render da Guarda
4 – Manter na formatura uma atitude firme e correcta

domingo, 28 de maio de 2017

Forte da Graça em Elvas e a Barrilada

Forte da Graça em Elvas e foto da chamada "Barrilada".
https://blogueforanadaevaotres.blogspot.pt/2012/11/guine-6374-p10734-memoria-dos-lugares.html
“Segundo me foi dito esta foto foi feita com "máquina oculta" entre as pernas do fotógrafo, um cabo enfermeiro, cujo nome não me disseram.
Ao que parece existem 4 fotos deste tipo, estando, pelo menos uma, na posse de uma loja de fotografia que há em Elvas”.

sábado, 27 de maio de 2017

Forte e Presídio militar de Elvas

Forte de Elvas e mensagens pintadas
As mensagens bonitas não conseguem fazer esquecer a prática desumana.
1 – Preso político - José António Pinho
“Em 1963, por motivos políticos, cumpriu prisão na Casa de Reclusão Militar de Viseu. Dado como indesejável ao Exército Fascista de Salazar, foi enviado para o Presídio Militar do Forte da Graça, em Elvas, onde foi duramente punido ao trabalho forçado do barril. Em 1967, foi novamente preso pela PIDE, pela sua intervenção no movimento associativo”. Livros publicados: " A Estátua - A tortura preferida pela PIDE" e " Caminhos de Liberdade".
2 - A Barrilada. A tortura do barril
António José Pereira da Costa - Coronel
“O Forte não tinha água canalizada e estava colocado num sítio para onde era difícil transportá-la. Assim, os reclusos tinham de ir à fonte que fica já em terreno plano e transportá-la em barris meio-cheios que, embora pesando menos, eram mais difíceis de transportar por desequilibrarem o aguadeiro”. “Há quem comece a dizer que não foi assim, mas as "fotos" não mentem”
Esta prática de tortura terá acabado em 1967/1968 ou mesmo em 1972.
Quando visitei o Forte da Graça pela primeira vez em 1971 não me recordo se tal prática ainda estava em uso.

sexta-feira, 29 de maio de 2015

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Nova sede da ADFA – Associação dos Deficientes das Forças Armadas

A ADFA - Núcleo da Guarda, vai ter uma nova sede e está a ser preparada para a inauguração.
A sede vai ocupar uma sala no Centro Coordenador de Transportes da Guarda, na zona do cais de embarque.
A inauguração está prevista para o dia 29 de Maio, em hora a confirmar, talvez 18H00

quarta-feira, 13 de maio de 2015

O Cristo das Trincheiras – I Guerra Mundial

O Cristo das Trincheiras encontra-se habitualmente na Sala do Capítulo do Mosteiro da Batalha, velando o túmulo do Soldado Desconhecido e é pertença da Liga dos Combatentes.
Agora encontra-se numa exposição em Fátima. No painel castanho sobre a qual se encontra o Cristo, foram escritos os nomes dos Portugueses mortos na I Guerra Mundial.
“A imagem do Cristo crucificado estava numa intersecção de estradas, no sector português da Flandres, entre as localidades de Lacouture e Neuve-Chapelle. A figura era uma companhia diária dos soldados portugueses e, tal como eles, sofreu duramente com a ofensiva alemã de 9 de Abril de 1918, que ficou conhecida como a Batalha de la Lys. No final dos bombardeamentos, a imagem perdera uma das mãos, parte das pernas, ambos os pés e tivera o peito atravessado por uma bela. Neuve-Chapelle tinha sido quase varrida do mapa, os mortos portugueses ascendiam a mais de 7500, mas o Cristo, ainda que mutilado, continuava no seu lugar”.
A imagem estava tão entranhada nas memórias dos soldados que viveram esse dia que, em 1958, o Governo Português pediu ao Governo Francês que deixasse o Cristo vir para Portugal. A imagem, que permanecera no mesmo local, nos 40 anos que se tinham passado desde o final da guerra, foi então transportada de avião para Lisboa a 4 de Abril de 1958 e, quatro dias depois, de carro para a Batalha”.
(http://www.publico.pt/portugal/noticia/o-soldado-que-conheceu-de-perto-o-cristo-das-trincheiras-1664812)

sexta-feira, 8 de maio de 2015

O início: A Inspeção

Por esta porta, de um quartel em Coimbra na Rua da Sofia, num dia de Setembro de 1965 começou a minha vida militar.
Tendo faltado à primeira inspecção, a normal, em Gouveia, apresentei-me, em segunda oportunidade, em Coimbra, como mandavam as normas da época.
Inspeccionado, isto é, visto nu, por um médico e mais por uns quantos senhores, saiu o veredito: apurado para todo o Serviço Militar.
A partir desse momento a vida ficou suspensa, até à chegada da carta com a “Guia de Marcha” para apresentação em Mafra e começar a recruta.
Esse dia ocorreu quase cinco anos depois, em julho de 1970.

Lembrei-me disto, um dia destes, quando passei à porta deste quartel já desactivado e com outras funções.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Um oficial na Guerra Colonial

Foto de um camarada de guerra - Evacuação de feridos

Enquadramento
Na Constituição Portuguesa de 1933, Salazar fez incluir o Acto Colonial (1951) na parte II do capítulo VII. Portugal era então definido como pluricontinental, com um espírito unitarista em conformidade com os ditames do regime Salazarista, sempre resistente aos movimentos descolonizadores do pós-guerra (2ª Guerra Mundial).
Esta visão Ultramarina do Estado Novo levará os grupos emancipalistas das Colónias Portuguesas à luta armada, primeiro em Angola, depois na Guiné e em Moçambique.
Mas Salazar apesar das sucessivas condenações da ONU não cede, nem muda de política Ultramarina a qual foi condicionada pela natureza não democrática do regime político português e pela conjuntura internacional do pós-guerra, favorável ao movimento anti-colonialista e emancipalista de África.
A política colonial do Estado Novo, cuja Magna Carta é o Acto Colonial, passou a ser uma componente fundamental da estratégia de sobrevivência do regime autoritário português.
Durante cerca de treze anos entre 1961 e 1974, Portugal ver-se-á envolvido numa guerra, contra os movimentos nacionalistas africanos em Angola, Guiné e Moçambique. Durante este tempo, sucessivas gerações de Portugueses foram obrigados a participar neste conflito.
Pensa-se que mais de 800 mil homens foram mobilizados para África, enquanto algumas dezenas de milhares se furtaram a participar na guerra colonial, emigrando clandestinamente ou exilando-se no estrangeiro.
Dada a importância de tais factos podemos afirmar que todos os grupos e camadas sociais da sociedade portuguesa não ficaram imunes aos efeitos e consequências que resultaram do conflito. Por sua vez todas as populações das colónias portuguesas, foram compelidas a lutar em vez de debaterem livremente e assumidamente as suas ideias de emancipação.
Mais uma vez a História e os seus actores ficaram no passado e para o futuro reféns das ideologias e dos interesses autoritaristas.
De acordo com o palestrante Coronel Matos Gomes, na guerra colonial a maioria dos combatentes não se identificavam com a missão desta guerra, queriam que o tempo passasse depressa, para o tão almejado regresso, sofriam de solidão, não eram preparados psicologicamente e muitas vezes eram mal equipados militarmente falando.
Na esteira destas afirmações decidi fazer uma entrevista aberta ao Alferes Miliciano número 00568268, que foi mobilizado e embarcou para Vila Cabral, Capital do Niassa em Moçambique no dia 14 de Junho de 1971 e regressou a Portugal no dia 24 de Agosto de 1973.
Entrevista
Eu – Ser um soldado português na guerra colonial em África foi um acto de obrigação ou voluntarista?
Alf. – Foi um acto de obrigação, porque era obrigado a ir, e ao mesmo tempo de comodismo porque eu tinha uma especialidade que à partida me garantia que não entrava directamente em conflito com o inimigo.
Eu – O espírito militarista onde estava?
Alf. – Não estava em lado nenhum. Nunca o tive, nem hoje sei o que isso é, e raramente encontrei entre os milicianos alguém que o tivesse.
Eu – Porque acontecia isso?
Alf. – Porque pensávamos assim: O nosso território, Portugal Continental, não estava em perigo, nem as nossas gentes, e não havia qualquer tipo de identificação com as colónias.
Eu – Mas não esqueça que havia lá muitos portugueses
Alf. – Em Moçambique essa questão é um dos lados mais “obscuros da guerra” porque os colonos eram simultaneamente contra a intervenção dos soldados portugueses e ao mesmo tempo exigiam ao governo central mais medidas de “repressão” leia-se violência contra os africanos negros. Raramente se viam filhos de colonos brancos em especialidades que os levassem às zonas de combate, em Moçambique.
Eu – Como explica essa contradição?
Alf. – Talvez pela proximidade da África do Sul com o regime de “Apartheid” que muitos queriam para Moçambique. As más relações da Igreja Católica com os colonos brancos. O resto fica para os estudiosos investigarem, sobretudo na Cidade da Beira. Constatei que ainda havia muita escravatura encapotada em Moçambique e que a Igreja denunciava.
Eu – Comente a afirmação: “Os combatentes nesta guerra não estavam preparados psicologicamente, nem fisicamente e só desejavam o regresso”.
Alf. – Preparados fisicamente estavam, até porque era tudo gente jovem. Psicologicamente e militarmente é que não estavam, porque os instrutores nunca tinham feito guerras deste dipo, de guerrilha, e não sabiam lidar com situações em que a população apoiava os guerrilheiros. Militarmente o equipamento de guerra dos guerrilheiros era muito mais moderno que o nosso, e mais adaptado àquele tipo de guerra.
Eu – E quanto a só pensarem no regresso?
Alf. - Quando se está num sítio que não se conhece, os companheiros são conhecimentos de há dois ou três meses, instalados em condições precárias, com a família e os amigos muito longe, em que o apoio psicológico vinha do Capelão e de alguns amigos, numa guerra que nada nos dizia, só pensávamos e sonhávamos com o “Friendship avião que nos levaria para a Beira”, contávamos todos os dias que faltavam até à chegada do “Checa” camarada que nos ia substituir.
Eu – Os militares dessa guerra “sofriam de solidão?
Alf. – Eu creio que não. Provavelmente “sofriam” de solidão, quando saiam para missões de combate ou de patrulhamento. Aí cada um pensava para si, e no que poderia acontecer no momento seguinte.
Eu – Depreendo que não havia espírito de grupo?
Alf. – Não. Havia espírito de grupo que se manifestava na acção e não nos momentos que a precediam, até porque na maior parte das missões o “silêncio” era obrigatório.
Eu – Consta-se que a solidão e a falta de preparação militar se “apagavam” no “Whisky”. Concorda?
Alf. – Concordo só em parte, porque se nos bares dos oficiais o Whisky era muito barato e sem limite e havia a chamada “dotação” mensal de garrafas, já para Sargentos e Soldados o “Whisky” era pouco e mau sendo a cerveja a bebida dominante e em muita quantidade, além disso quando se estava no quartel, faziam-se muitas festas que metiam muita comida e bebida. Eram essas festas que contribuíam para não haver solidão.
Eu – Os militares que faziam essa guerra sabiam porque razões a faziam? A pergunta remete para a consciência política imanente a essa guerra.
Alf. – Nesse período da guerra, uma parte da hierarquia militar já era dominada pelos Capitães, Alferes e Sargentos Milicianos que tinham formação académica e todos eles faziam parte da geração de 68/69. É evidente que uns tinham mais consciência política do que outros. Já ao nível dos Soldados havendo muito analfabetismo e sendo oriundos na sua maioria do Portugal rural tal consciência política não podia existir.
Eu – Que papel teve então essa “elite” militar no desfecho dessa guerra?
Alf. – Havia a consciência de que esta guerra estava a “cortar” as suas carreiras académicas e profissionais dos futuros oficiais. Os Quadros da Academia Militar, já não eram suficientes para as necessidades desta guerra e com isso obrigava a criar, os Capitães Milicianos. O “choque” entre Capitães Milicianos e Capitães do Quadro aliado à consciência de que a guerra não podia ter uma solução militar levou à criação do chamado “Movimento dos Capitães” do Quadro que depois esteve na origem da Revolução de 25 de Abril de 1974.
Eu – Pode dar-me a sua opinião pessoal, da forma tão contestada como se fez a descolonização nesses territórios?
Alf. – Os muitos anos de guerra, as atrocidades cometidas de parte a parte, a radicalização do conflito militar levou a que nessa data não houvesse possibilidade de entendimento de ambas as partes, tanto mais que as grandes potências mundiais, ao estarem indirectamente envolvidas no conflito, não deram margem de manobra aos negociadores.
Eu – Posso concluir que há ainda muito por “contar” sobre esta guerra?
Alf. – Agora já aparece muita gente a escrever sobre este tema, sobretudo os que participaram na guerra, sendo sempre uma visão parcial, mas a visão global (História Total) ainda não está feita. Uma boa abordagem, do meu ponto de vista, foi feita pelo Jornalista Joaquim Furtado, que na RTP1 em vários documentários, apresentava a visão de todos os envolvidos.
Conclusão
Com o presente relatório, a entrevista que realizei a um participante na Guerra Colonial, obtive a confirmação de alguns pontos de vista apresentados pelo Coronel Matos Gomes, na sua comunicação realizada nas XII Jornadas de História de Seia.
A comunicação do Senhor Coronel motivou-me para este tipo de trabalho.
Também como Professora de História, realizei aquilo que há muito desejava fazer: Passar a escrito, testemunhos de “memórias vivas”.
Por outro lado, pude concluir, que há ainda muito para investigar, e fazer História da Guerra Colonial Portuguesa da década 60/70.
Achei curioso que muitas das comunicações sobre este assunto tivessem sido feitas por ex-combatentes de carreira militar que passado que foi o tempo de guerra se licenciaram em História e fizeram mestrados ou especializações nestas áreas. 

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Suplemento Especial - Pensão de Guerra

A Segurança Social enviou-me uma carta a informar que este mês iria receber o “Suplemento Especial de Pensão” por ter combatido na Guerra Colonial. 100 Euros POR ANO, sujeitos a toda as taxas e impostos como manda a lei.
Neste dia Bendigo Paulo Portas que nos deu esta extraordinária pensão
Neste dia Maldigo Marcelo Caetano porque me mandou embora da tropa com 15 dias de antecedência. Se lá tivesse ficado mais 15 dias teria um Suplemento de 150 Euros POR ANO. Mais 50%, já viram, 50% nos tempos que correm é muito.
Neste dia Maldigo Passos Coelho ou algum seu representante que se farta de taxar e “impostar” este meu suplemento.
Neste dia também Bendigo os meus companheiros de guerra que me ajudaram a passar, aparentemente sem mazelas, aqueles tempos.
Recordo aqui um, em especial, de muitas brincadeiras, partidas e aventuras, o Thomaz, sobrinho neto de sua Excelência Almirante Américo de Deus Rodrigues Thomaz, que também servia para nos guardar do mau-olhado dos nossos comandantes.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Feridas da Guerra Colonial

O Jornal “A Guarda” desta semana, publicou um anúncio de página inteira, com fotografias da Guerra e uma mensagem dirigida a todos os Portugueses.
A mensagem diz:
“Associação Nacional dos Combatentes do Ultramar”
“Declaração de Princípios”
“Conscientes das mudanças da História e de que ninguém escolhe o momento de nascer, os antigos Combatentes do Ultramar afirmam ter cumprido dignamente o seu dever numa época difícil, e então pouco esclarecida, e têm assim direito à compreensão, ao respeito e à solidariedade de todos os Portugueses”.

Não sei se esta mensagem tem a ver com o programa do Jornalista Joaquim Furtado sobre a Guerra Colonial e nos últimos episódios tem abordado alguns “massacres”, sobretudo o mais conhecido e o mais investigado deles todos: O de Wiriamu, aldeia do Distrito de Tete, Moçambique.
Infelizmente, todos ou quase todos, os Antigos Combatentes da Guerra Colonial ainda não conseguiram cicatrizar as feridas provocadas pela guerra.
Sobre o comunicado, não me identificando com ele, compreendo-o

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

sábado, 14 de julho de 2012

segunda-feira, 9 de julho de 2012

domingo, 8 de julho de 2012

segunda-feira, 28 de maio de 2012

sábado, 26 de maio de 2012