Câmara da Guarda e a programação do TMG

Dezembro de 2022
“Teatro municipal guarda perde 800 mil
euros DGARTES decisão presidente camara”
Esta decisão foi amplamente
noticiada e gerou intenso debate político sobre a gestão cultural na cidade.
27 de fevereiro 2026 – Assembleia Municipal
Presidente da Câmara da Guarda fez
a festa. “O município concorreu a uma nova candidatura lançada pela Direção
Gral das Artes. Ontem o município foi informado da aprovação do mesmo
documento, que significa um apoio de 100 mil euros por ano, durante quatro
anos, «para podermos fazer a programação que já está decidida para os quatro
anos – porque há regras claras a cumprir».
15 de março de 2026 – Notícias
Guarda
“Congratulámo-nos com a decisão da
Direção-Geral das Artes de apoiar a programação do Teatro Municipal da Guarda
no âmbito do programa da Rede de Teatros e Cineteatros Portugueses (RTCP) para
o quadriénio 2026-2029, com um financiamento de 400 mil euros (100 mil euros
por ano).
“Assinalámos, contudo, a falta de
ambição da candidatura apresentada, uma vez que o TMG concorreu apenas ao
patamar de financiamento C.
Covilhã
“Teatro Municipal da Covilhã
receberá 600 mil euros ((2026-2029)
Castelo Branco
Cine-Teatro Avenida de Castelo
Branco receberá 800 mil euros ((2026-2029)
“Considerando o percurso e o
reconhecimento do TMG como equipamento cultural de referência na Beira Interior
e no país, entendemos que a candidatura poderia ter aspirado a um nível de
financiamento mais elevado.”
Se houvesse um concurso do género para as festarolas, festivais do vinho, comes e bebes, certamente que o Município punha todo o empenho em conseguir o máximo possível e concorreria ao patamar de financiamento A+++.
ResponderEliminarA cultura não agrada muito aos senhores feudais, pode abrir os olhos ao povo, por isso, há que nivelar por baixo.
Muito bem. Disse tudo. Cumprimentos
ResponderEliminarCurioso como, de repente, parece que o Teatro Municipal da Guarda ficou “aquém” só porque não foi buscar o valor máximo possível. Como se bastasse pedir mais para automaticamente receber mais, uma espécie de multibanco cultural, mas com fundos da Direção-Geral das Artes.
ResponderEliminarConvém talvez recordar (detalhe menor, claro…) que houve equipamentos culturais pelo país fora que se candidataram a valores inferiores. Não, não é erro, inferiores. Mas isso estranhamente não entra na narrativa da “falta de ambição”.
Depois há outro pormenor quase irrelevante: cada patamar de financiamento da Rede de Teatros e Cineteatros Portugueses implica níveis de exigência programática diferentes. Mais financiamento não é só mais dinheiro, é também mais carga, mais compromissos, mais programação, mais recursos humanos e técnicos. Ou seja, não é apenas “querer”, é conseguir cumprir.
E aqui entra a realidade local, que também costuma ser pouco conveniente: a cidade da Guarda não dispõe de um pavilhão multiusos. Resultado? O TMG não é apenas “um teatro”. É, na prática, o espaço que absorve uma parte significativa da programação cultural e de serviço público que, noutras cidades, estaria distribuída por vários equipamentos.
Portanto, talvez a questão não seja “falta de ambição”, mas sim adequação: escolher um patamar que permita cumprir com qualidade, de forma sustentável, e garantindo resposta às necessidades reais da cidade.
Mas pronto, é sempre mais simples transformar decisões técnicas em slogans políticos. Dá menos trabalho do que perceber como o sistema funciona.
Demagogia feita á maneira é como queijo numa ratoeira.
EliminarAnónimo das 14:23 na linha dos posts evangélicos que escreve sobre a nova cultura a nova política e o novo tudo.
ResponderEliminarMas no seu caso entende-se o afã.
Rezou a oração do apóstolo homónimo e obteve a graça. "Peçam e lhes será dado; procurem e encontrarão; batam e a porta lhes será aberta" (11:9)
Tem um favor para pagar e é uma alma fiel.
Evangelho segundo São Lucas?
EliminarAh, claro, faltou mesmo foi aplicar o modelo teológico à gestão cultural. Bastava ao TMG seguir o conselho do acólito anónimo: pedir, que lhes seria dado; bater, que a DGArtes abriria; procurar, que o financiamento máximo apareceria milagrosamente. Uma espécie de parábola contemporânea, mas com candidaturas e formulários em vez de pães e peixes.
EliminarDepois, os pequenos detalhes mundanos, cumprir rácios, garantir equipas, ter programação consistente, responder às exigências do patamar, isso já são minudências terrenas, quase falta de fé. O importante é acreditar. Se não resultasse, claramente seria por falta de devoção orçamental.
E quanto ao coro dos “há funcionários a mais”, imagino-os todos em recolhimento espiritual, talvez à espera que o milagre da multiplicação das agendas aconteça: mais espetáculos, mais eventos, mais valências… sem mais gente, sem mais meios, mas com muita fé e um PowerPoint bem-intencionado.
No fundo, o problema do TMG não é gestão, é não ter aderido à corrente certa. Faltou-lhe um apóstolo mais convicto, alguém que transformasse limites operacionais em pecado e prudência em heresia.
Mas pronto, entre a realidade e a parábola, percebe-se que a segunda dá sempre melhores comentários.
Está a confundir o TMG com o Centro Cultural.
EliminarMais funcionários para mais programação!!!!
ResponderEliminarA câmara da Guarda tem muito mais funcionários que castelo branco, Covilhã, Fundão, etc., terá dos piores racius de pessoal do país.
O que farão todos aqueles contratados que participaram no circo?
Não estarão em teletrabalho? ,parece que é difícil ajeitar postos de trabalho para todos.
Está câmara é um sorvedouro de dinheiro em inutilidades.
EliminarContrata sem necessidade, contrata sem critério e sem adequação á função.
Primeiro contrata depois tenta encontrar alguma coisa que a pessoa possa e queira fazer.
Quanto ao TMG com a chegada de SC perdeu qualidade e neste momento já será difícil readquirir credibilidade.
Por cá reina a cultura do Chichorro e do tinto, da entremeada e da aguardente, das associações da treta e do compadrio.
Agradeçam ao AA e ao PSD. Sim, agradeçam mesmo — não é todos os dias que se consegue a proeza de encostar o melhor programador cultural que a Guarda alguma vez teve (e provavelmente terá).
ResponderEliminarDe caminho, também tratou-se de fazer a devida “evolução”: um museu de âmbito nacional promovido a… municipal. O TMG, esse, ganhou uma nova identidade — já não é teatro municipal, é praticamente um departamento partidário com agenda cultural.
No fundo, está tudo melhor. Mais pequeno, mais alinhado e, claro, muito menos relevante.
Defender o Américo Rodrigues nesta situação também é esticar a corda. A cultura tem que ser democrática, inclusiva e acessível, não elitista.
Eliminar1907
EliminarPode explicar-me o que é uma cultura elitista?
A Oliveira
Com certeza, sr. Oliveira. Estamos aqui pra isso!
EliminarUma política de cultura elitista é uma forma de orientar a cultura pública (apoios, programação, financiamento, acesso) que privilegia sobretudo manifestações culturais consideradas “eruditas” ou “de elite”, em detrimento de expressões mais populares ou acessíveis. Dar mais apoio a áreas como música clássica, artes plásticas contemporâneas ou teatro experimental, concentrar eventos culturais em centros urbanos, programações pouco acessíveis ao grande público (linguagem, contexto) e menor valorização de cultura popular, tradicional ou de massas. Agora diga-me que isto não era o espelho da programação cultural do AR. Não estamos óptimos agora, mas mal por mal, preferi o Vítor Afonso. AR era só para quem gostava dele.
Uma política cultura elitista educa, qualifica e abre horizontes a quem nela participa e a quem dela frui.
EliminarAo menos o novo programador é motard e por essa via conhece o país e não só. É alguém da casa desde o primeiro dia.
Vamos dar o benefício da dúvida.
Uma boa escolha que vai provar estar à altura. Parabéns Carlos e votos de bom trabalho.
EliminarPelo menos o Carlos Antunes esteve lá desde o dia da abertura. Passou por muitos e muitas e para ter aceite espero que tenha tido a humildade de achar que pode fazer melhor. Não é difícil.
EliminarPara falar do Américo devem fazer vénia, não servia para a Guarda mas serviu para a Direção Geral e tem-se mantido com brilhantismo.
ResponderEliminarSim sim, é por isso que as críticas falam de gestão burocrática, pouca empatia pública com dificuldades dos artistas, dificuldade em corrigir desigualdades estruturais e falta de visão. Estamos longe mas não estamos todos cegos nem surdos.
EliminarÁlvaro Amaro cavou a cova e enterrou a cultura. Sérgio Costa já com a cultura defunta deu a uma vice presidente acéfala que de cultura nada percebia até porque nunca participou e agora ainda conseguiu pôr a cultura nas mãos de duas amigas que a única coisa que têm para dar a cultura é uma chiclet e um sorriso forçado
ResponderEliminarÉ preciso recuar mais de 10 anos para encontrar um programador e vereadores da cultura na guarda.
Sendo que uma das amigas, não tendo tido a mesma sorte antes de entrar nos "intas" e nem sequer nos "entas", cantou à outra a cantiga do Sérgio Godinho "arranja-me um emprego, pode ser na tua empresa com certeza" e hoje não se percebe quem é a empregada e quem é a empregadora, mas as duas estão a enterrar a empresa.
EliminarÉ possível indicarem exemplos ou motivos pelos quais estão a “enterrar a empresa”? Quem está de fora gostava de ter uma melhor percepção daquilo que está a acontecer.
EliminarO termo cultura apresenta-se com diversas definições e mesmo interpretações. Para Sérgio e seu amigos foliões, cultura é os Santos do bairro. É o certame que acontece ali na central de camionagem em setembro, ou aquele outros das tendas que promove a grande produção vinícola do concelho. 😊
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